Estudos tradicionalmente realizados sobre a evolução da história da moda, geralmente consideram os estilistas responsáveis por tal evolução.
Considerando que apesar do “sistema das aparências” estar sofrendo de "coincidências", não podemos afirmar a ocorrência de um retrocesso, uma vez que, a produção de streetstyle vive sua efervescência.
Anônimos e suas bagagens culturais são claramente objeto de inspiração do mais festejado e influente desfile dos últimos tempos: Balenciaga por Nicolas Ghesquière.Faz-se necessário, a fim de se compreender a moda contemporânea, um olhar atento às evoluções tecnológicas tanto na cadeia produtiva, quanto no marketing globlizado. Tudo, claro, com aval da economia, cada vez mais determinante em nossas vidas.
As descobertas multiculturais, em segundos, na tela de um computador, transformaram o alcance da moda ao redor do mundo e neste primeiro momento, parecem descentralizar a figura do estilista como protagonista de todo o babado. Longe de estudos aprofundados, fica claro a influenciada do streetstyle alimentado pelo fast fashion.
Tudo bem que a realidade é composta por contradições e não se discute a força de um Karl Lagerfeld e um Ghesquière, nem muito menos o poder de um conglomerado de luxo como o LVMH, que a cada dia aumenta seus lucros, mas o sistema fast fashion é um fenômeno singular em relação ao comportamento contemporâneo diante do consumo, uma vez que sua engrenagem inclui os estilistas, formadores de opnião e os próprios consumidores do prêt-à- porter.
Os protagonistas da vez não necessariamente tem o lápis na mão, e sim idéias na cabeça e uma roupa a disposição, seja para copiar ou editar.
A holandesa C&A, a espanhola Zara, e a sueca H&M são as líderes no seguimento fast fashion. Investem em mini-coleções semanais durante todo ano, alterando a dinâmica das coleções do prêt-à-porter “lançadoras de tendências”, que reagiram criando as coleções intermediárias, mais comerciais (resorts ou cruises). Porém, a velocidade com que as peças do fast fashion chegam as araras, aliadas a preços mais acessíveis, mostram-se sedutoramente irresistíveil aos consumidores amantes da moda, independentemente de classe social, mesmo que a qualidade não seja das melhores. E nem precisa, até porque, com esses “precinhos”... e na semana que vem tem mais, kkk! – Claro não é tão simples assim. E este é o ponto chave.
Fazendo todo o carrossel do efêmero girar a preços acessível, esses "negócios" têm como objetivo o lucro atravéz de vendas volumosas de roupas, que seguem as principais tendências da estação, sem o investimento em profissionais para a realização de algo diferençiado, e sim investimento em versões (mais baratas), das peças chaves desfiladas nas principais semanas de moda internacionais, matando a criatividade, mas garantindo as vendas.

nova campanha da linha de verão das sandálias Ipanema Gisele Bündchen.
Por fim, a cópia por aqui, permeia inclusive a elite de nossa moda brasileira, fato este mais do que exposto na mídia, causando um mal-estar danado... sobre esse assunto, o site Chic de Glória Kalil, trouxe esta semana uma entrevista bem bacana, vejam trechos:
(...)Criada em 2003, a Reserva, grife carioca de roupas masculinas dos sócios Rony Meisler, Fernando Sigal e Diogo Mariani, só cresce.(...)A boa fama resistiu à má exposição – e à indisposição – causadas pela reportagem Coisas da moda da revista Piauí, de junho de 2007, em que um dos looks da marca eram apontados como plágio de um estilista internacional.(...)
A revista Piauí publicou que uma peça do seu desfile do inverno 2007 era parecida com algo já feito por Junya Watanabe. O que você tem a dizer sobre isso?
Parecido não, idêntico. O processo de criação no mundo inteiro passa por um momento inicial chamado shopping, que é quando se saí às ruas para comprar referências que são importantes para esse processo. A cópia não é justificada de maneira alguma. É um erro. Quando saiu a matéria da Piauí, em nenhum momento eu busquei retratação, porque não era parecida, era igual, idêntica. Uma cópia. Erramos por inexperiência. Foi um desfile de 350 referências e uma das peças era plágio. Essa é a primeira vez que falo sobre isso após a publicação da revista.
Vocês estavam conscientes de que estavam fazendo um plágio?
Eram 350 referências, no meio tinha uma cópia. É tão intensa a montagem de um desfile, que passou. Em momento algum, durante a montagem do look, eu lembrei que a peça era de Junya Watanabe. Erramos e isso não vai acontecer mais.
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